História
Vários anos de história constituem a base de nosso ideal carnavalesco de reunir os amigos e primos no mês de fevereiro, para a montagem do nosso tradicional carrão e desfilar no carnaval Cerquilhense.

Tudo começou com nossos pais e tios, que reuniam-se nesta mesma época do ano para enfeitarem uma carreta de trator para tocar musicas carnavalescas, beber e reunir os amigos, sempre com muita alegria, isso nos anos 60!

Com o sonho de desfilar no carnaval com um carrão somente nosso, compramos nosso primeiro carro em Janeiro de 1992, foi um Opala 1973,  comprado sem motor, e como éramos todos moleques na época, a mecânica de um automóvel tratava-se de um bicho de sete cabeças. Fizemos funilaria no carro com bombril, massa plástica e sabugo de milho, personalizamos a pintura no pincel, mas o principal não tínhamos e acabamos por trocar o carro por um toca fitas e um par de auto falantes. O sonho de desfilar no carnaval, acabou por água abaixo. Mas....

 

1994

<1994> Ainda embalados pelo sonho de ter um carrão de carnaval, em Novembro de 1993, adquirimos o nosso segundo carro, um Landau 1978, que já era um carrão de carnaval e pertencia a Rogério e Paulinho Denardi.

Como ninguém aprendeu mecânica, ainda, chamamos nosso amigo mecânico Edson da Street Racing motos para funcionar a máquina e levá-lo para o sitio de nosso avô. Após fazer a tradicional funilaria com sabugo,  jornal e massa plástica, enchemos o carro de badulaques, nos vestimos de paletó, gravata e bermudão e fomos para a avenida como “CARRUPTOS, O Carrão da Corrupção”.

O desfile inaugural, no carnaval de 1994, foi um sucesso, pois naquele momento, a mídia constantemente relatava escândalos de lavagem de dinheiro, corrupção, etc. E acabamos por receber uma 2ª colocação, o que nunca esperávamos.

Nesta época era permitido aos carrões andar livremente pelas ruas da cidade, e nós andamos tanto que acabamos gastando 250 litros de gasolina, chegamos a ir até Tietê atrás do trio elétrico Tibalanço, que na época era um ônibus puxado por caminhão, lá encontramos alguns amigos que também tinham carrão e que vieram com seu veiculo no dia seguinte para Cerquilho, tudo em perfeita harmonia, sem intrigas nem brigas.

No mesmo ano, aconteceu a copa do mundo e decidimos utilizar nosso carrão para comemorarmos o possível tetra campeonato brasileiro no convívio, mas infelizmente nosso motor fundiu antes do jogo e tivemos que sair na carreata guinchados pelo caminhão do tio Rose, e depois empurrá-lo até o convívio ajudados pêlo pessoal que estava construindo o prédio.


1995

<1995> Começamos o ano com o carrão parado, estávamos a pé e a turma desesperada. Vendemos o Landau para um desmanche e emprestamos o dinheiro da tia Inês para comprar outro carro (devolvemos o valor em longas e suaves 5 parcelas).

Pra complicar não encontramos nenhum Landau ou Galaxie para comprar ! Rodamos Tatuí de ponta a ponta e só achamos um pequeno Dodge Polara 1978, que depois de muito pechinchar, fechamos o negócio, voltando para Cerquilho na maior alegria.

Naquele ano estourou o escândalo da parabólica, (Tramóias do governo que só foi transmitido por TVs via satélite) então nosso tema foi baseado nisto, que ficou como “CARRUPTOS II, O Escândalo da Parabólica”. Ganhamos uma antena parabólica da fábrica da B&M e instalamos no teto do carro, e fizemos uma faixa escrito “Com esse mínimo, vou continuar 100 Reais!”, referindo-se ao possível aumento do salário mínimo para R$100,00 (quanto dinheiro!!!).

A plataforma do carro, nós fizemos com restos de paletes de madeira da Pirelli e comportava no máximo três pessoas, o restante do pessoal andava dentro do minúsculo carro ou dependurados nele. Mas o carrinho só agüentou um único carnaval, e tivemos que vende-lo para o desmanche do Sr. Guilherme Denardi e novamente ficamos a pé.

 

1996

Entramos em 96 sem carro nem dinheiro e a batalha para comprarmos um outro carro foi grande: novamente pedimos dinheiro emprestado para dois tios (até hoje não pagamos) e compramos um carro que já era de carnaval e estava numa oficina de empilhadeiras em Tietê, a LASS Mecânica, de nosso amigo Guto, o motor do carro estava no avesso, a lata imprestável, era um ferro velho ambulante.

Nossa persistência falou mais alto e compramos um motor que estava jogado nos fundos da bicicletaria do Jacaré em Cerquilho. Havia uns 10 anos que ele estava lá, então imagina o estado dele ! Depois de muita dificuldade, conseguimos fazer o motor funcionar e montamos uma estrutura com restos de trilhos de portão que “pegamos emprestado” na oficina do Sr. Batista Bom (nosso mecânico na época).

Após assistir o filme “Jamaica abaixo de zero”, decidimos sair fantasiados de jamaicanos, então pintamos e enfeitamos o “Monstrengo” com motivos da Jamaica, e por isso, decidimos pelo título “BASEADOS NA JAMAICA” e lá fomos para o desfile, mas, para nossa infelicidade, o tema foi mal entendido e fomos desclassificados.

A turma ficou arrasada e pensávamos em desistir desta história de carrão e para ajudar, o carro parou durante o desfile na frente do palco e tivemos que empurra-lo até o Convívio.

 

1997

<1997> No quarto ano, 1997, mesmo desanimados pelo resultado anterior, decidimos tocar à diante e desfilar, mas o motor do carro estava muito ruim, não tinha mais jeito. Procuramos e achamos num ferro-velho em Tatuí um motor em bom estado.

Daí emprestamos a Kombi (Catarina) de um tio (o mesmo que não pagamos no ano anterior) e trouxemos o motor. Como parecia predestinado o carrão ficou bala.

Naquele ano repetimos as alegorias do ano anterior (por contenção de custos e por birra mesmo!). Mas mudamos o tema para “JAMAICARRÃO, Trazidos pela Enxurrada”, pois nos dias que antecederam o Carnaval chovera muito e teríamos certeza que desta vez o título seria compreendido.

Para total surpresa: faturamos a primeira colocação! Que alegria! Isto foi o impulso que precisávamos para continuar...

 

1998

<1998> Em 1998, nosso quinto ano, ainda com o mesmo carro, decidimos sair vestidos de árabes mas não sabíamos como colocar o título, até que um integrante da turma (Paulinho) falou com tom de bricadeira “é um Carrábia mesmo!”, estava ai o título perfeito, “CARRÁBIA, O Carrão das Arábias”.

Trabalhamos muito para enfeitar o carro e confeccionar as fantasias. Por motivos “desconhecidos” amargamos uma terceira colocação, e para ajudar, o carrão quebrou novamente na frente do palco durante o desfile, mas voltou a funcionar depois. O que nos consolou é o fato de nosso carro ser lembrado durante anos pelas pessoas e jornais de Cerquilho.

 

1999

<1999> Mesmo não aprovando o resultado do ano anterior, continuamos inabaláveis, e em 1999 trocamos nosso “Monstrengo” por um maravilhoso Galaxie 1973 adquirido da turma de Sérgio Citroni, fomos buscar o carro no bairro Rosário.

Nesse ano queríamos fazer algo diferente e mais ousado, e decidimos, por idéia das meninas da turma sair de astronautas, mas e o nome para o carro? Bem, o nome veio da mesma forma e do mesmo integrante que deu o nome do Carrábia, e o tema desta vez foi “CARRONAUTAS”.

Fizemos um ônibus espacial na frente do carro com restos de um toldo, ficou um espetáculo! Mesmo assim tivemos somente a quarta colocação (o fantasma da "estranhice" novamente nos rondando!).

 

2000

<2000> Superado a decepção do ano anterior, em 2000 decidimos que seríamos eternamente reconhecidos por “JAMAICARRÃO”, repetimos novamente as alegorias dos anteriores Jamaicarrão e adotamos o subtítulo “Cerquilho 51 Anos, Uma Boa Idéia”, pois nesse ano a cidade faria 51 anos de emancipação.

Um caso engraçado neste ano foi tentarmos um audacioso e inútil pedido de patrocínio para as indústrias Müller, proprietária da Caninha 51 que aparecera no título do carro, a resposta foi a seguinte: “Agradecemos pelo convite mas não estaremos participando do evento em questão”. Foi só risadas durante anos.

Neste ano não entramos na disputa e para nosso espanto, faturamos ainda uma singela quinta colocação. Não esquecendo de frisar que o carro novamente parou de funcionar durante o desfile exatamente na frente do palco como nos anos anteriores. Será esse algum aviso??

 

2001

  Em 2001, como firmamos no ano anterior,   lá estava o tradicional “JAMAICARRÃO”! desta vez com o título “É BOMBA”, pois essa música estourou nas paradas antes do carnaval.

Ficamos em 9º lugar, mas não nos importamos pois não fizemos o carro para entrar na disputa, e para não perder o costume, o nosso maravilhoso carrão, adivinha o que aconteceu e bem aonde? Isso mesmo, quebrou na frente do palco!!

 

2002

Ainda sem motivos e ânimo para disputas carnavalescas, em 2002 repetimos o carro e o título de 1997, “JAMAICARRÃO, Trazidos pela enxurrada”, que foi nossa primeira vitória, nos divertimos muito mas continuamos na 9ª colocação, o que novamente passou por despercebida, a única coisa que não passou despercebida foi a tradicional quebra na frente do palco, o que nos fez ficar com medo de tal estrutura metálica.

 

2003

Em 2003, percebemos que se continuássemos a sair sem motivação, o carrão corria risco de acabar, então, preocupados com essa hipótese, decidimos voltar ao pelotão de elite. Durante 2 meses, ficamos cortando bambus gigantes e fixando no carro afim de transformá-lo em uma casa, mas ainda não sabíamos que título colocar, só sabíamos que seria uma casa de bambu e com varanda na frente! Até que um dia, escutamos a “música” da  Éguinha Pocotó, e vimos o Lacraia dançando, rimos durante horas e decidimos colocar a tal éguinha no carrão, mas como? Não tinha nada haver com a casa de bambu, até que alguém falou que era “O  rancho da Éguinha Pocotó” e colocamos o nome de “POCOTÓ CARRÃO, No Rancho da Éguinha”.

Durante o desfile, quase não conseguimos passar a avenida pois não aguentávamos ver os Lacraias e os outros integrantes do carrão dançando, nos divertimos muito!  O resultado dessa diversão foi a Primeira colocação, faturando assim nosso bi campeonato. Um fato que nos marcou, foi que ao receber o troféu de 1º colocado, alguém da organização, que não nos lembramos quem, disse ao microfone que  fomos o “Único Carrão da história a ter todas as notas 10 possíveis em todos os quesitos e de todos os jurados presentes”.

Também esse ano, após inúmeras alterações no motor do carro, ele funcionou como nunca, até o segundo dia de carnaval! e ficamos mais 2 dias tentando funcioná-lo novamente!

 

2004

            Ficamos o ano inteiro de 2003 maravilhados com o prêmio e o reconhecimento, então decidimos repetir a dose em 2004. O título de 2004 já havia sido escolhido em 2003 enquanto enfeitávamos o Pocotó Carrão, inventamos o “FAROESTE CARRÃO”.

Para fazer bonito novamente, passamos o ano assistindo filmes de faroeste e projetando como seria o carro, até chegarmos ao projeto da carroça. Para executar tal ornamento e suportar os integrantes do carrão que havia aumentado bastante, aumentamos o tamanho de nossa plataforma até o limite que o carro suportaria, e então fizemos a tal carroça.

O resultado, ficamos novamente em 1º e faturamos o Tri Campeonato.

Neste ano tivemos o gostinho de passar todos os dias de carnaval com o carro em pleno funcionamento, após esgotarmos todas as hipóteses de quebra possíveis.

 

2005

Ainda contentes com Tri, em 2005 decidimos por um navio pirata inspirados pelo filme “Piratas do Caribe”. Após meses elaborando o projeto, o carro ficou com 11 metros de comprimento e 5,9 metros de altura, mas e o nome? Novamente nos vimos indecisos, e só na última hora decidimos por “PIRATARRÃO, O Carrão dos Piratas”.

Durante o desfile, não tínhamos tanto pessoal como os concorrentes e nosso barco foi atingido por bexigas,  folhas de bananeira e até uma Tocha olímpica, indo a pique, Naufragou! mas os Capitães pularam do barco desrespeitando a norma que diz “O capitão afunda com o navio” mas nós éramos piratas e piratas não seguem normas!! e de forma alguma desanimamos com a Quarta colocação, aliás, com toda a certeza em 2005 foi o carnaval mais divertido de todos, nossa turma que o diga!!!

 

2006

<2006> Durante a apuração dos pontos ainda em 2005, resolvemos unir forças com os nossos maiores concorrentes, o pessoal “OS SEM VERBA”, decidimos titulo, fizemos a mesma Abadá (foi a 1ª vez) e desfilamos com 2 carros no mesmo titulo e 2 turmas.

Saimos com o título de “AMAZÔNIA”  e novamente não entendidos amargamos um 5º lugar e nossos companheiros um 10º lugar.

2007

<2006> O tema deste ano foi "Monstrolândia"' baseado no fascinio das pessoas sobre monstros e pesadelos. Obviamente usando a imaginação para mostrar o lado alegre e divertido deste folclore humano.

Acabou que ficamos novamente em 5º lugar, mas parabenizamos nossos companheiros "Os Sem Verba" que ganharam. No final fizemos a festa de comemoração juntos.


2008

Jamaicarrrão comemora 15 anos de história, neste ano revivendo as raízes do nosso carnaval, retornando á época das marchinhas. Nos anos 70 e 80 nossos tios e pais enfeitavam uma carreta de trator e desfilavam no carnaval cerquilhense embalados pelo conjunto musical do sanfoneiro Batista Bom. Com o decorrer dos anos a carreta de trator foi substituída pelos carrões, que tornaram-se tradicionais em Cerquilho, atualmente são considerados como referencia no carnaval do interior que juntamente aos trios elétricos atraem milhares de pessoas, além de fazer a alegria na avenida do Samba. Jamaicarrão buscando reviver estas raízes conseguiu reunir parte da formação original da turma de carnaval da época das marchinhas, buscando homenagear estas pessoas bem como a tradição de Cerquilho no carnaval de rua.